Marlene Constantino

Cada pedacinhos de sonhos guardados, quando tocados renascem, voam como borboletas

Meu Diário
22/05/2019 00h07
OS POEMAS

 

OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso, nem porto

alimentam-se um instante

em cada par de mãos e partem.

E olhas, então essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estavam em ti...

 

(Mario Quintana)


Publicado por Marlene Constantino em 22/05/2019 às 00h07
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13/05/2019 12h35
DA SAUDADE E DA URGÊNCIA

 

" Ama-me,
agora
antes que a palavra chegue.

Toca-me
antes que haja mundo,

Beija-me
antes que comece o beijo.

Despe-me
para que eu esqueça ter corpo.

Devolve-me
o reino onde fui deus.

Ama-me
até não sermos dois.

Ama-me.
E tudo será depois."

- Mia Couto.
In "Vagas e Lumes"


Publicado por Marlene Constantino em 13/05/2019 às 12h35
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28/12/2018 23h33
O INSTANTE ANTES DO BEIJO

 

" Não quero o primeiro beijo: 
basta-me 
O instante antes do beijo.

Quero-me 
corpo ante o abismo, 
terra no rasgão do sismo.

O lábio ardendo 
entre tremor e temor, 
o escurecer da luz 
no desaguar dos corpos: 
o amor 
não tem depois.

Quero o vulcão 
que na terra não toca: 
o beijo antes de ser boca."

- Mia Couto,
in 'Tradutor de Chuvas'


Publicado por Marlene Constantino em 28/12/2018 às 23h33
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17/08/2018 23h43
AMO O QUE VEJO


Amo o que vejo porque deixarei
Qualquer dia de o ver.
Amo-o também porque é.

No plácido intervalo em que me sinto,
Do amar, mais que ser,
Amo o haver tudo e a mim.

Melhor me não dariam, se voltassem,
Os primitivos deuses,
Que também, nada sabem.

Ricardo Reis, in “Odes”
heterônimo de Fernando Pessoa


Publicado por Marlene Constantino em 17/08/2018 às 23h43
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17/08/2018 13h22
NÃO DIGAS NADA

Não digas nada! 
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender — 
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada 
Deixa esquecer 

Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" 


Publicado por Marlene Constantino em 17/08/2018 às 13h22
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